Entrevista: a paixão e o talento de GIUSEPPE ORISTÂNIO

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O ano de 2015 testemunhou um fenômeno na TV brasileira: a novela bíblica Os Dez Mandamentos. Exibida pela Rede Record, com texto de Vivian de Oliveira e direção geral de Alexandre Avancini, a trama surpreendia por cada detalhe.
Claro que todo mundo lembra das pragas que Deus enviou contra o Egito, do Mar se abrindo… Mas tenho certeza que você vai sorrir ao lembrar de Paser. O sumo sacerdote conquistou o coração dos brasileiros pela bondade e ternura, e principalmente pela justiça e por sua forma de amar incondicionalmente.
A cena mais marcante talvez tenha sido o casamento do Faraó {Sergio Marone} com a filha do sacerdote, Nefertari {Camila Rodrigues}. Na ocasião, a esposa do religioso é finalmente desmascarada, em atuações memoráveis de Adriana Garambone {a vilã Yunet} e do nosso entrevistado, Giuseppe Oristânio.
Conheci Giuseppe na época da novela Luz do Sol, e ele é esse cara: gente boa, sorriso aberto, e apaixonado por seu trabalho {e que trabalho! O ator tem uma carreira consagrada!}. Quando o site fez 05 anos, o primeiro depoimento foi dele {mesmo já gravando Os Dez Mandamentos}, e sempre foi um prazer encontrá-lo.
Na véspera da estreia de Os Dez Mandamentos – O Filme, um presente: com vocês, GIUSEPPE ORISTÂNIO.
V.A: Você começou a interpretar o Paser na segunda fase, sendo que na primeira ele foi interpretado por Paulo Nigro. Foi difícil essa transição?
G.O: Não. Segundo a opinião geral, quando houve a transição, nossa passagem foi muito tranquila, sem grandes choques visuais. Acho até que ficamos bem parecidos.
V.A: Mais do que qualquer outro personagem, o sacerdote / sumo sacerdote devia conhecer bem a cultura religiosa do Egito antigo. O texto já te trazia esses dados ou você estudou?
G.O: Ambos. Fizemos alguns estudos e tínhamos assessores para não nos deixar falar bobagem. Foi muito rico.
V.A: Você teve três grandes parceiros de cenas: a veterana Adriana Garambone; a jovem Camila Rodrigues; e o novato na TV Renato Livera. Como foi contracenar com cada um deles?
G.O: Sensacional. Sem demagogia, todos tivemos sorte. A Adriana já conhecia de outros carnavais e sempre fomos muito amigos. E ela é uma atriz sensacional. A Camilinha é a coisa mais linda do mundo, uma ótima atriz e excelente companheira. Uma moleca adorável. O Renatinho e eu tivemos um encontro especial mesmo. Conseguimos rapidamente entender qual a função que nos cabia na história e na dupla. Cada um fez a sua parte com generosidade e atenção, sempre privilegiando o jogo cênico. Foi maravilhoso.
V.A: No início das gravações e da exibição da novela você também estava em cartaz no teatro. Foi difícil essa "vida dupla"?
G.O: É bastante dificil, mas a vida é assim. E pra falar a verdade, me sinto sempre muito melhor quando trabalho muito. Fico mais alerta, mais bem humorado, mais tudo.
V.A: Você é um ator extremamente experiente, tanto na TV quanto no teatro. Já tinha feito algo como Os Dez Mandamentos?
G.O: Ninguém, na televisão, já tinha feito algo como OS DEZ MANDAMENTOS.
Eu já tinha feito minisséries bíblicas, desde os primórdios da Record. Mas uma novela desse porte, com esse tema,nunca.
V.A: Fazendo uma retrospectiva:
Qual foi a cena mais difícil de gravar?
E a mais emocionante?
Qual será inesquecível?
G.O: Acho que a nossa autora foi iluminada ao conseguir oferecer grandes oportunidades a quase todos os atores.
Pessoalmente, fiquei agradecido por ter sido presenteado com várias delas.
Descobrir, numa cena com a Garambone, que Nefertari não era minha filha de sangue, foi um exemplo.
A despedida com Simut foi outra.
A sequência da morte do Paser, ainda outra.
E durante todo o processo, mil outras chances. Foi ótimo.
V.A: Quando recebeu o convite para fazer parte desse projeto, imaginava tamanha repercussão?
G.O: Todos imaginávamos uma boa repercussão, mas ninguém –  imagino -, nem a Globo, poderia imaginar a liderança absoluta.
Quer saber? Foi muito merecido. 
V.A: O que mais te impressionou na novela e no personagem?
G.O: A produção foi o ápice de um processo de anos de aprendizado nesse tipo de trabalho. Tudo me impressionou individualmente, mas eu ressalto a força do trabalho do grupo. Tudo foi essencial para o resultado de tudo. Não me refiro apenas ao elenco. Me refiro a todos. Sem a força e a experiência de todos, os atores não teriam o mesmo resultado.
V.A: Na terceira fase você surge mancando e corcunda, um incrível trabalho de caracterização corporal. No final das gravações o corpo doía muito?
G.O: Interpretar é fazer de conta. Não doía nada.
Essa mancadinha foi apenas uma homenagem a meu pai que tem 86 anos e manca um pouco. Achei adequado e carinho com ele.
V.A: No final de janeiro estreia o filme de Os Dez Mandamentos, e semanas antes já foram vendidos mais de meio milhão de ingressos. Você esperava esse sucesso também nas telonas? Qual a sensação de saber que Paser estará em tela grande?
G.O: A primeira surpresa foi saber que haveria o filme. E, ao que parece, a pré venda já superou um milhão de ingressos. Isso sim é fantástico.
Quanto ao Paser no filme, acho que a participação deverá ser bastante reduzida. Isso é bastante compreensível por duas razões: a primeira é que teremos apenas duas horas. A segunda razão é o fato de que, suponho, a história bíblica deverá ser privilegiada. Com isso, os personagens fictícios deverão perder um pouco da força. O importante é que veremos um filme bem emocionante.
V.A: Paser foi religioso, homem apaixonado, pai amoroso, conselheiro, avô, amigo, tinha uma posição de extrema importância, mas sempre foi humilde e buscou ser sábio. O que de mais bonito você está levando desse personagem?
G.O: Aprendi que nenhum sofrimento, nenhuma traição e nem a falta de caráter pode dobrar alguém que quer ser justo.
V.A: Como Giuseppe Oristânio define Paser?
G.O: Um homem que ficou curvado pela dor, mas manteve sempre a cabeça erguida.
V.A: Quais são seus projetos agora? 
G.O: Já estou agoniado pelo próximo desafio.
Agora é 2016 e eu vou arrepiar, se Deus quiser.
Volto para o Doidas e Santas {peça}, pelo menos.
Mas isso não significa estar em calma… Minha vida é uma deliciosa turbulência.
Eu, Lathife Porto, coloco a VISÃO.ARTE à disposição de todos os projetos, do talento e da simpatia de Giusepe Oristânio. Essa entrevista me emocionou pela paixão dele por esse projeto. Que esse sentimento nos guie por todo novo ano.
E lembrando que no dia 28 estreia Os Dez Mandamentos – O Filme.
Até a próxima
2016-01-22T13:24:00+00:00 0 Comentários

Sobre o Autor:

Lathife Porto
Meu nome é Lathife Porto, tenho 34 anos, sou jornalista, assessora de imprensa, e apaixonada por arte e cultura. Moro no Rio de Janeiro, estou sempre em Paraty {RJ}, mas você pode me encontrar em qualquer lugar do mundo – principalmente no mundo virtual.

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