ENTREVISTA: os desafios justos do artista PAULO VILELA

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Em toda ficção há um personagem que tem acesso a todos {ou quase} cenários, personagens, e guarda segredos que mudam a trama.
Os Dez Mandamentos – Nova Temporada, contou com essa figura: o Natan, servo manco de Jetro {Paulo Figueiredo}. O rapaz esteve em Moabe, foi atacado no Deserto, capturado pra Hesbom, fugiu e foi escravo no Deserto. Na passagem de tempo de 40 anos, ele finalmente surge no acampamento hebreu – seu destino inicial – e conduz a descendência de seu senhor para o lar, Midiã. Seus segredos e informações mudaram as vidas de vários dos personagens que aprendemos a amar.
O encarregado por viver Natan foi o ator Paulo Vilela, que você já conhece de vários outros trabalhos, em especial as duas primeiras temporadas de Conselho Tutelar.
Nos despedindo da saga Os Dez Mandamentos, conversamos com o ator.
Muito prazer, Paulo. Obrigada pela oportunidade e parabéns por seus trabalhos.
V.A: Uma primeira pergunta que é só curiosidade: por que escolheu Paulo se Anderson é seu primeiro nome?
PV: Porque quando eu precisei escolher um nome artístico eu achei Paulo Vilela mais legal. E sabe que durante anos muitas pessoas quando liam meu nome, me confundiam com o ator Paulo Vilhena? Já passei cada aperto por causa disso! Até convite de casamento em nome dele eu já recebi na minha casa! Haha mas isso já faz tempo. Acho que agora já conquistei um pouco mais o meu espaço.
V.A: Aos 29 anos você é o tipo de artista que “mete a cara”: fez pontas na TV até conseguir papéis maiores, filmes, curtas, peças, estudou no exterior, e se envolve em todos os processos de criação. O que te motiva?
PV: Eu sinto que tenho uma vocação muito grande para ser ator. O meu talento eu tô lapidando aos poucos, tô melhorando, sinto uma melhora. Um grande motivo para eu meter a cara, como você falou, é a minha vontade de crescer cada vez mais porque assim eu sei que terei mais e mais chances de mostrar o meu trabalho.
V.A: Falando nisso, você queria fazer Medicina. O que te fisgou nas artes?
PV: O ator Paulo Figueiredo me disse uma vez que o Teatro escolhe a pessoa e não o contrário. Vai ver foi isso mesmo o que aconteceu. As artes cênicas me seduziram e eu me entreguei a elas, sem medo de ser feliz. Não é fácil escolher ser ator, às vezes tem que abrir mão de muitas coisas, tem muita gente que tem que lutar até contra a família. É uma profissão mágica mas de altos e baixos, já me acostumei com isso. Já tive momentos de muita angústia, vontade de largar tudo, desistir, começar do zero, outra profissão. Mas o fato é que eu nunca consegui! Eu tô achando que as artes cênicas não querem desistir de mim.
V.A: Em vários trabalhos você recebeu prêmios. Qual a importância real disso?
PV: Acarinhar o ego, talvez…
V.A: Como foi estudar e morar na França e nos Estados Unidos? Valeu a pena? Principalmente por que? E os muitos cursos no Brasil? Seu empenho merece aplausos.
PV: Eu tenho um desejo grande de ser um grande ator, daqueles que são capazes de fazer qualquer personagem. Então eu tento melhorar cada vez mais e eu sinto que tô amadurecendo em cada novo trabalho. 
Morar em outro país é muito bom! Eu adoro! Conviver com aquela gente diferente de mim, que come outras coisas, que fala outra língua, as cidades têm outros cheiros, outros sabores, outras cores, outras temperaturas. E eu aprendi tantas coisas nessas viagens que fiz e faço. Eu observo tudo, de olhos bem abertos. Tudo é material para eu usar em algum personagem.
V.A: A gente está se despedindo do Natan, de Os Dez Mandamentos. Um servo que viveu diversas aventuras e luta por justiça, mesmo com deficiência física. Quais foram os maiores desafios e o que mais te marcou neste trabalho?
PV: O que mais me marcou foi a fé que o Natan tem em Deus. Mesmo com todos os problemas que ele passou, a semente de Deus foi plantada no coração do Natan e ele superou todos os obstáculos, todas as tragédias, tentativas de assassinato, até conseguir chegar em Moises e revelar toda a verdade. O Natan queria justiça e foi um guerreiro! Demorou 40 anos, mas conseguiu chegar em Moises. Isso é uma lição de vida! Nunca devemos desistir do que acreditamos! Basta a gente ter fé e perseverança. Não adianta nada ficar deitado, se lamentando. Eu amo o Natan.
V.A: Você acabou de assinar contrato com a Record e estará na terceira temporada de Conselho Tutelar. Esse contrato traz estabilidade para desenvolver outros projetos? Algum em vista?
PV: Sim, meu contrato com a Record foi renovado e isso é uma benção sem tamanho. Veja bem, nosso país está desse jeito, essa crise brava, mais de 11 milhões de pessoas desempregadas e eu trabalho no que eu gosto. Sou um privilegiado! E qualquer trabalho que o pessoal da Record achar que eu deva fazer, o farei com o tesão que sempre faço.
V.A: Conselho Tutelar marcou a dramaturgia brasileira com um realismo intenso, tratando de um assunto incômodo para a sociedade, e alertando para um problema seriíssimo. Como é pra você participar desse projeto?
PV: É de renovar a alma. Eu me sinto um homem melhor participando dessa série. Além de entreter, estamos denunciando os maus tratos às crianças e aos adolescentes do nosso país. Saber que nós estamos ajudando, nem que seja um pouquinho, é libertador.
V.A: Comparando os dois trabalhos, você se considera um Justiceiro nas artes?
PV: Eu tenho a sorte de ser convidado para fazer trabalhos artísticos de cunho social. A arte é parceira de todos os segmentos. Quem abraça a arte, abraça um mundo melhor e com mais otimismo. Tudo está caótico, atentado terrorista tá virando algo rotineiro. Precisamos dar educação e arte pra essa gente! Teatro salva, música renova, cores, quadros, tinta. O conhecimento é um presente precioso. O mundo tá intolerante demais. Como disse o Cândido de Voltaire: "Precisamos cultivar nosso jardim". 
Vamos todos ser guerreiros como o Natan, não nos conformar com as coisas ruins e cada um fazer a sua parte.
V.A: Defina o artista Paulo Vilela:
PV: Eu não consigo me definir. Deixa pras pessoas tirarem suas conclusões sobre mim.
E pra você – e pra mim – leitor da VISÃO.ARTE, esse presente de entrevista com um ator jovem, pulsante, curioso e disposto a fazer o melhor de sua arte.
Hoje é o último capítulo de Os Dez Mandamentos, uma trama que por sua dimensão vai continuar tocando corações, mas já podemos dizer: “Nós também amamos o Natan”.
Obrigada, Paulo! Sucesso sempre!
Até a próxima,
2016-07-04T16:59:00+00:00 0 Comentários

Sobre o Autor:

Lathife Porto
Meu nome é Lathife Porto, tenho 34 anos, sou jornalista, assessora de imprensa, e apaixonada por arte e cultura. Moro no Rio de Janeiro, estou sempre em Paraty {RJ}, mas você pode me encontrar em qualquer lugar do mundo – principalmente no mundo virtual.

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