Oito anos de uma viagem sem fim…

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Quando eu era criança queria ter uma banca de jornal para ler todas as revistas. Depois aprendi que ler e escrever eram como eu preencheria meu destino. Meus pais, sempre à frente de seu tempo, abriram uma escola em Paraty / RJ, em sociedade com minha tia – professora de História de Geografia e a mulher mais generosa que já existiu. Curioso que aquele colégio tinha o nome do pai deles, neto de escrava: Centro Educacional Jair da Silva.

Jair da Silva era neto da negra Rosália, o homem que venceu a barreira das letras. De dia e de noite ele assistia e lia sobre todos os assuntos, discutia sobre o que fosse com quem fosse. De madrugada, sob a luz de uma luminária enquanto minha vó dormia, ele escrevia a mão. Foram dezenas de cadernos.

Naquele colégio eu descobri o fascínio das bibliotecas. Passava horas e horas e horas ali. Ainda não via diferença entre clássicos ou não. Devorei a Coleção Vagalume. Conheci José de Alencar. Alguns livros foram tão importantes que lembro do exato momento que os tirei da estante.

Eu precisava ler e escrever.

Decidi ser jornalista.

Mas prestei vestibular pra medicina, contra a vontade de todos os meus colegas do Colégio São Joaquim em Lorena / SP – onde fui estudar o antigo Segundo Grau. Graças a Deus não passei! No primeiro dia de faculdade, já no Rio de Janeiro, fiz amigos para a vida toda e peguei meu primeiro livro na biblioteca, um de Alexandre Garcia.

Meu primeiro estágio já foi no jornalismo virtual, apesar de na faculdade ainda fazer aula de fotografia tradicional. Vale destacar que sempre fui péssima nas aulas de TV. Vivi o período de contradição. A transformação entre o “analógico” e o moderno. Temos poucas fotos dos anos de faculdade, em compensação de depois!

A arte sempre esteve presente na minha vida. Assim como a literatura, a TV. E da forma como era possível para uma menina do interior, o cinema. Mas eu sou curiosa toda a vida, criei desafios pra mim mesma, estudei Diretores, autores, pintores, sempre fui a fundo. Se não for pra mergulhar fundo, nem vou. Afinal, sou filha e neta de pescadores.

Não lembro como a Moda e a Beleza entraram nessa História. Nunca fui a mais bonita nem a mais bem vestida. Mas quando meu pai me propôs criar a VISÃO.ARTE veio naturalmente: é arte. Assim como gastronomia, perfumaria.
A alquimia é arte. Quando você une coisas que parecem diferentes e forma um conjunto – aparentemente harmonioso ou não – é arte.

E existe o princípio básico da arte: o se despir de quaisquer pré-conceito.

Hoje a VISÃO.ARTE está como eu, vivendo uma transformação, uma busca de identidade, um novo layout, uma brincadeira de ser nova, um faz-de-conta de gente grande.

Um parque de diversões que tem me proporcionado as melhores experiências. Coisas inimagináveis. Fantasias reais. Que incrível!! Às vezes no mínimo me deparo com a grandeza do inesperado, me encanto.

Sou grata. A Deus, pelo dom. A meus pais, por nunca terem cortado minhas asas, pelo contrário, por sempre terem me incentivado a voar. A CPC Informática e o Gustavo Santos, responsáveis pelas layouts ao longo desses anos. A cada leitor. Cada pessoa que me emprestou um segundo do seu tempo. Cada assessor. Cada colega. Cada amigo. Cada incentivador. Cada um que emanou amor. E cada um que me ignorou solenemente. Com as pedras eu faço altares.

Na comemoração desses oito anos, a reflexão sobre como vários dos meios pelos quais transitamos mudaram neste tempo. Uma viagem gostosa… Obrigada aos que nos conduzem. Sejam bem –vindos, tripulantes.
Que venha cada dia até os próximos oito.

Sempre na bênção do Senhor, com gratidão, luz, generosidade, curiosidade, e paz.

foto: Rogerio Felicio.

2018-04-06T01:23:21+00:00 0 Comentários

Sobre o Autor:

Lathife Porto
Meu nome é Lathife Porto, tenho 34 anos, sou jornalista, assessora de imprensa, e apaixonada por arte e cultura. Moro no Rio de Janeiro, estou sempre em Paraty {RJ}, mas você pode me encontrar em qualquer lugar do mundo – principalmente no mundo virtual.

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